"Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana"

(Teillard de Chardin)

05 agosto 2017

Sobre Deus - Robson Pinheiro / Angelo Inácio


O Ente Supremo ao qual tributamos o mais elevado respeito e do qual temos algum conhecimento é, para nós, uma consciência dinâmica, que engloba em si mesmo a força propulsora da evolução universal e a dinâmica geradora e mantenedora da vida.

Para os Capelinos de nossa época, essa consciência dinâmica não poderá jamais ser comparada ou representada por forças humanas, pois seu impulso diretor é observado em toda a criação, que atesta a existência de uma Vontade, orientada por objetivos bem definidos.

Enquanto Deus, em suas religiões, é comparado somente ao bem, para nós, os Capelinos, bem e mal são faces da mesma moeda.

A trajetória terrena preferiu inventar a figura do demônio para justificar as sombras, o mal aparente, o contraste.

Para nós, entretanto, existe somente uma realidade, e esta se manifesta de acordo com a capacidade de percepção da criatura.

Deus para nós, não pode ser unilateral, e a compreensão de sua consciência, com o intuito de ser universal, há de ser mais abrangente.

Assim como o preto é oposto do branco, e as sombras, o oposto da luz, há de existir muito mais por trás da vida do que simplesmente o bem e o mal, tal como vocês na Terra concebem.

Portanto, ser perfeito não é questão de ser bom ou mal, equilibrado ou desequilibrado, mas conviver em paz com essa diversidade; é compreender a harmonia da criação, a harmonia dos opostos, respeitando a função dos contrários.

A vida só progride com a percepção dos conflitos, do antagônico.

O nosso conceito de Deus está intimamente ligado ao porquê de nossa existência.

Desse modo, para nós, Capelinos, é impossível conceber a luz sem o contraste da sombra, sem compreender que existe a noite.

Sem as diversas alternativas do ser e do existir, sem o fator divergente, ainda não há como apreciar a manhã sem saber que existe a tarde.

Sem as diversas alternativas do ser e do existir, sem o fator divergente, ainda não há como conhecer a vida e sua fonte geradora.

Conceber e compreender a vida, a nossa existência, é algo que está além da razão, do raciocínio.

A existência do universo, dos seres criados, da própria criação está muito além da capacidade de compreensão humana, do raciocínio dos seres criados.

Tudo isso foge, transcende a imaginação humana.

O poder da consciência do Ente Supremo existe para conceber, planejar, coordenar e mediar as transformações, que se tornam acessíveis apenas mediante o processo evolutivo, ao longo das eras.

O Deus que descobrimos dentro e fora de nós está além do bem e do mal, do certo e do errado, e, ao mesmo tempo, é a causa geradora de tudo, inclusive daquilo que impropriamente se classifica como certo ou errado.

No processo de evolução do universo, ser bom ou mal é questão de estar inserido num processo evolutivo em determinado tempo e lugar.

Em algum planeta, num recando obscuro do universo, algo pode ser considerado bom, enquanto, em outro local, a mesma coisa poderá ser considerada má, de acordo com a conjuntura e os conceitos de cada povo ou civilização. Isso acontece mesmo entre as diferentes culturas da Terra."


(Extraído do livro "Crepúsculo dos deuses " - Robson Pinheiro / Ângelo Inácio)



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